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A Rússia está a utilizar o seu míssil hipersónico para enviar uma mensagem política. Quão perigoso é o Oreshnik?

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A Rússia não utilizou apenas um míssil hipersónico para atingir um native no oeste da Ucrânia, perto da fronteira com a Polónia, na União Europeia, mas altos funcionários passaram a gabar-se do poder da arma com capacidade nuclear, no que alguns consideraram um claro aviso ao Ocidente.

A Força Aérea da Ucrânia disse que o míssil, que pode ser equipado com seis ogivas, cada uma carregando suas próprias submunições, viajou a uma velocidade de 13 mil quilômetros por hora, mas não revelou detalhes sobre o que exatamente foi atingido.

Foi a segunda vez que a Rússia usou o Oreshnik contra a Ucrânia, um míssil hipersônico impossível de ser interceptado pelo país.

Mas a escolha de Moscovo em utilizá-lo, juntamente com a sua barragem de outras armas mortais, incluindo mísseis balísticos e drones, parece ter mais a ver com mensagens políticas do que com estratégia militar.

Numa publicação na plataforma de redes sociais Telegram, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, que atua como vice-presidente do conselho de segurança do país, comparou o ataque de Oreshnik a uma droga antipsicótica extremamente necessária num mundo dominado por “atores desequilibrados” e “psicóticos perigosos”.

No mesmo submit, ele criticou o que chamou de “sequestro” do líder venezuelano Nicolás Maduro e a apreensão de um navio-tanque da frota clandestina de bandeira russa.

Esta foto do Serviço de Segurança da Ucrânia pretende mostrar que parte do sistema russo de mísseis hipersônicos Oreshnik com capacidade nuclear está no native de um ataque russo na região de Lviv na sexta-feira. (Serviço de Segurança da Ucrânia/Reuters)

‘Arma de propaganda’

Os líderes do Reino Unido, França e Alemanha condenaram o uso do míssil pela Rússia e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, classificou-o como uma escalada clara e perigosa.

A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, considerou isso um aviso aos EUA e à Europa.

Mas nas ruas de Kiev, muitos residentes vêem-na simplesmente como mais uma arma russa mortal. Na manhã de sexta-feira, as equipes estavam ocupadas limpando os destroços após ataques separados que mataram quatro pessoas, incluindo um paramédico.

O residente Oleksandr Poliak, 30 anos, diz que a preocupação mais imediata para ele são as centenas de drones Shahed que são rotineiramente lançados na capital.

“É mais importante pensar neste tipo de arma do que no Oreshnik. Oreshnik é mais como uma arma de propaganda”, disse Poliak em entrevista a uma equipe freelancer que trabalha para a CBC Information.

“A Rússia dispara este tipo de arma sempre que não está satisfeita com algumas… negociações.”

Oleksandr Poliak, 30 anos, acredita que o míssil Oreshnik tem mais a ver com propaganda e diz que sua preocupação imediata são os drones que estão sendo lançados em Kiev.
Oleksandr Poliak, 30 anos, acredita que o míssil Oreshnik tem mais a ver com propaganda e diz que sua preocupação imediata são os drones que estão sendo lançados em Kiev. (Serhii Moos/CBC)

Míssil com capacidade nuclear raramente usado

A Rússia disse ter lançado o míssil Oreshnik na noite de quinta-feira contra uma empresa estatal na Ucrânia como retribuição pelo que chamou de ataque mal sucedido de drones à residência do presidente Vladimir Putin no mês passado.

A Ucrânia chama essas alegações de “mentira absurda” e os Estados Unidos afirmam que o ataque não aconteceu.

A primeira vez que a Rússia usou o míssil de alcance intermediário foi em novembro de 2024, quando teve como alvo uma instalação industrial no Dnipro.

Num discurso televisionado poucas horas depois do ataque, Putin disse que o Oreshnik foi lançado em resposta aos EUA e ao Reino Unido, permitindo que a Ucrânia usasse armas de longo alcance para atingir alvos na Rússia.

Advertiu que as acções agressivas da NATO estavam a levar a Rússia a testar a arma, que ele alegou ser impossível de interceptar.

  Moradores no local do prédio atingido por um ataque de drone russo, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em Kiev, Ucrânia, em 9 de janeiro de 2026.
Moradores estão no native do prédio atingido por um ataque de drone russo, em meio ao ataque da Rússia em Kiev na sexta-feira. (Anatoly Stepanov/REUTERS)

O que há de tão diferente no Oreshnik?

Especialistas dizem que o que diferencia o Oreshnik de outros mísseis balísticos usados ​​pela Rússia contra a Ucrânia é que ele viaja em velocidades hipersônicas e pode ser equipado com seis ogivas e submunições que podem ser direcionadas a alvos separados.

Marina Miron, pesquisadora de pós-doutorado do departamento de estudos de defesa do King’s Faculty London, diz que a arma tem três fases diferentes.

A primeira é a fase de impulso, onde é lançado e lançado ao espaço. Ela disse que esta fase tem duração estimada entre dois e quatro minutos.

Uma vez no espaço, parte do míssil se separa e cai de volta à terra, deixando um componente chamado Veículo de Reentrada Múltipla e Independente (MIRV), para continuar viajando pelo espaço, carregando as ogivas.

Na terceira fase, o MIRV ajusta sua trajetória antes do lançamento das ogivas.

Dado que cada míssil pode transportar seis ogivas, juntamente com submunições, Miron diz que é possível que “36 coisas possam estar a cair do céu”.

Pode ser interceptado?

Especialistas, incluindo Miron, dizem que é impossível para a Ucrânia interceptar o Oreshnik, pois não possui interceptadores hipersônicos e seria incapaz de mirar na arma enquanto ela navega pelo espaço.

Quando chovem munições, Miron diz que elas podem se espalhar por uma ampla área, tornando tudo extremamente desafiador.

“É como se eu disparasse uma bala e a bala voasse e você tentasse interceptá-la atirando uma pedra”, disse ela em entrevista por telefone à CBC Information de Munique.

“Você pode ter sorte, mas as possibilities são próximas de zero.”

Houve relatos que sistemas interceptadores específicos, que os EUA e Israel possuem, poderiam teoricamente interceptar este tipo de míssil, mas Miron diz que a sua eficácia precisa ser testada.

“Você precisaria ter uma defesa aérea em camadas”, disse ela.

“Mas, de modo geral, é muito difícil fazer algo contra isso.”

Por que a Rússia o lançou agora?

A Reuters informou que um alto funcionário ucraniano não identificado disse que o Lviv Oreshnik carregava ogivas inertes ou falsas.

Muitas autoridades e especialistas em defesa acreditam que o uso da arma pela Rússia foi concebido para enviar um aviso aos aliados da Ucrânia.

“Penso que esta é uma mensagem clara dirigida a Trump, Macron, Merz e aos líderes europeus”, disse o presidente da Câmara de Lviv, Andriy Sadovyi, em entrevista à Reuters.

“O ataque foi efetivamente realizado na fronteira da União Europeia. E um míssil semelhante poderia atingir as capitais europeias em seis a sete minutos.”

Não está claro quantos sistemas de mísseis Oreshnik a Rússia possui, embora no ano passado Moscou tenha anunciado que havia despachado alguns deles para a Bielorrússiaum aliado militar elementary do Kremlin. Moscou já lançou anteriormente alguns dos seus ataques à Ucrânia a partir de território bielorrusso.

Glen Grant, tenente-coronel britânico reformado e especialista em defesa da Baltic Safety Basis, sediada na Letónia, disse que realmente não faz sentido que a Rússia make the most of uma arma hipersónica dispendiosa para atingir os tipos de infra-estruturas que tem atingido com sucesso com drones e outros mísseis.

Em vez disso, ele acredita que foi usado exclusivamente para mensagens políticas.

“Por outras palavras, se conseguirmos voar até aqui, podemos voar até Varsóvia ou podemos voar até Riga, ou voar até Tallinn”, disse ele à CBC Information numa entrevista Zoom a partir de Riga, Letónia.

“E, claro, tem capacidade nuclear.”

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