O Kremlin alertou na terça-feira que o mundo estava a caminhar para uma fase “perigosa”, uma vez que o último tratado de controlo de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia deverá expirar esta semana, deixando potencialmente as duas maiores potências nucleares sem quaisquer limites formais aos seus arsenais.O tratado, conhecido como Novo START, expira na quinta-feira. É o acordo closing sobrevivente de uma série de acordos de controlo de armas da period da Guerra Fria que outrora governaram a competição nuclear entre Washington e Moscovo.
“Em apenas alguns dias, o mundo estará numa posição mais perigosa do que nunca”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas, incluindo a AFP, durante um briefing diário.O Kremlin disse ter proposto uma prorrogação do tratado por um ano, mas não recebeu resposta formal de Washington. “Ainda não recebemos uma resposta dos americanos a esta iniciativa”, disse Peskov.Se o tratado caducar sem substituição ou extensão, os Estados Unidos e a Rússia ficariam, pela primeira vez em décadas, sem qualquer quadro vinculativo para limitar ou verificar as suas armas nucleares estratégicas. Moscovo alertou que isto eliminaria o único mecanismo restante para controlar os dois maiores arsenais nucleares do mundo.O presidente dos EUA, Donald Trump, que supervisionou a retirada dos Estados Unidos de vários acordos internacionais, disse em setembro que a extensão do Novo START “parece uma boa ideia”, mas não foram seguidas quaisquer medidas concretas.O tratado foi assinado em 2010 pelo então presidente russo, Dmitry Medvedev, e pelo presidente dos EUA, Barack Obama, e entrou em vigor no ano seguinte. Incluía disposições para inspeções no native e intercâmbio de dados para garantir a conformidade.No entanto, a Rússia suspendeu as inspeções durante a pandemia de COVID-19 e as conversações mais amplas sobre a extensão ou substituição do tratado foram paralisadas à medida que as relações se deterioravam após a guerra na Ucrânia. Moscovo acusou Washington de obstruir missões de inspecção em território norte-americano.Em 2023, a Rússia anunciou que estava a congelar a sua participação no Novo START, embora tenha afirmado que continuaria a aderir voluntariamente aos limites numéricos estabelecidos pelo tratado.O alerta surge em meio a crescentes sinalizações militares de ambos os lados. Moscovo testou no ano passado novos sistemas de lançamento com capacidade nuclear sem ogivas, enquanto Trump disse ter ordenado que dois submarinos nucleares dos EUA se aproximassem da Rússia.
O que é o tratado nuclear EUA-Rússia e por que é importante
O Novo START é o último tratado de controlo de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia e é amplamente visto como uma pedra angular da estabilidade estratégica international.Segundo o acordo, ambos os países estão limitados a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas cada. O tratado também limita a utilização de mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos lançados por submarinos e bombardeiros pesados a 700, com um limite adicional de 800 lançadores. Estas armas são concebidas para atingir os principais alvos políticos, militares e industriais de um adversário no caso de um conflito nuclear.Uma característica central do New START é o seu regime de verificação, que permite inspeções no native, notificações e partilha de dados para reduzir o risco de erros de cálculo. Embora as inspeções tenham sido interrompidas desde a pandemia e a suspensão da participação da Rússia, nenhum dos lados acusou formalmente o outro de violar os limites de ogivas.O tratado foi prorrogado uma vez em 2021, brand após a posse do sucessor de Trump, já que o acordo permite apenas uma única prorrogação. Esgotada essa opção, qualquer continuação exigiria um novo acordo ou um entendimento político casual.Os analistas alertam que o fim do Novo START poria fim a mais de cinco décadas de controlo formal de armas nucleares entre Washington e Moscovo. Acordos anteriores, incluindo o tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio e o tratado de Mísseis Antibalísticos, já ruíram.Sem um quadro substituto, ambos os lados seriam livres para expandir os seus arsenais nucleares, embora os especialistas digam que aumentos em grande escala levariam tempo devido a restrições técnicas e logísticas. A longo prazo, a ausência de limites e de transparência poderá alimentar uma nova corrida armamentista impulsionada por pressupostos de pior cenário.Os esforços para negociar um tratado sucessor enfrentam grandes obstáculos. Trump disse que quer um acordo mais amplo que inclua a China, uma ideia que Pequim rejeitou, argumentando que o seu arsenal é muito menor. A Rússia respondeu que as forças nucleares da Grã-Bretanha e da França também deveriam ser incluídas, uma proposta a que esses países se opõem.Com o Novo START prestes a expirar e sem nenhum avanço diplomático claro à vista, o futuro do controlo de armas nucleares entre os EUA e a Rússia permanece incerto, levantando preocupações sobre o aumento dos riscos nucleares num momento de tensões globais elevadas.













