A nomeação do ex-primeiro-ministro para regressar ao cargo suscitou advertências de Washington
Nouri al-Maliki, um primeiro-ministro iraquiano com dois mandatos considerado em Washington como sendo demasiado próximo do Irão, foi nomeado para um terceiro mandato, o que suscitou alertas dos EUA sobre repercussões diplomáticas e económicas e provocou acusações de interferência estrangeira na soberania da nação árabe.
Então, quem é Nouri al-Maliki e porque é que o seu provável regresso ao poder chamou a atenção de Washington?
Um dos primeiros membros do Partido Islâmico Dawa do Iraque, um grupo de oposição sob o regime de Saddam Hussein, al-Maliki passou 25 anos no exílio na Síria e no Irão antes de regressar ao Iraque após a invasão liderada pelos EUA em 2003. Subiu de forma constante na hierarquia política, tornando-se eventualmente primeiro-ministro em 2006. Cumpriu dois mandatos consecutivos até 2014 – o mandato mais longo desde a invasão – e anteriormente ocupou outros cargos no gabinete.
O primeiro período de Al-Maliki no poder coincidiu com alguns dos anos mais turbulentos da história moderna do Iraque. Os críticos dizem que as suas políticas, incluindo medidas ligadas à desbaathificação e à centralização, aprofundaram as divisões sectárias e a radicalização sunita, ao mesmo tempo que não conseguiram conter a corrupção.
Agora, após as eleições realizadas no closing do ano passado, a coligação xiita dominante no Iraque, o Quadro de Coordenação, apoiou al-Maliki, de 75 anos, como seu candidato a primeiro-ministro para um terceiro mandato, provavelmente assegurando a sua nomeação assim que um novo presidente for eleito. Isto desencadeou uma reação em Washington.
Porque é que os EUA manifestaram oposição à nomeação do seu próprio primeiro-ministro pelo Iraque?
Acontece que Washington está em jogo e acredita que a liderança de al-Maliki aproximaria o Iraque da influência do Irão.
Autoridades dos EUA alertaram publicamente que o Iraque poderá enfrentar consequências diplomáticas e económicas – incluindo ameaças de restringir o acesso a apoio económico essential – se al-Maliki recuperar o cargo de primeiro-ministro. O presidente Donald Trump disse nas redes sociais que os EUA “não ajudaria mais o Iraque” se al-Maliki regressar, descrevendo o mandato anterior do político como caótico e prejudicial.
Como podem os EUA pressionar o Iraque?

Parte da influência de Washington decorre da natureza pesada da economia do Iraque e da forma como as suas receitas petrolíferas são geridas. As exportações de petróleo representam cerca de 90% do rendimento do governo iraquiano, a maior parte do qual flui para uma conta no Federal Reserve Financial institution de Nova Iorque e é gerido pelo banco central do Iraque – cuja propriedade pertence ao governo de Bagdad. Este é um acordo pós-2003 que permitiu aos EUA ameaçar com restrições em disputas políticas passadas. A limitação do acesso poderia atingir duramente a economia iraquiana, perturbando salários, pensões e serviços públicos.
As ameaças dos EUA provocaram manifestações no país árabe. No closing de Janeiro, centenas de manifestantes reuniram-se perto da embaixada dos EUA em Bagdad, agitando bandeiras iraquianas e gritando contra a interferência estrangeira, exigindo respeito pela soberania do Iraque.
Como Al Maliki respondeu à oposição dos EUA?
O próprio Al Maliki respondeu com desafio a Trump, rejeitando o que ele chama “flagrante interferência americana” e insistindo que os líderes do Iraque devem decidir o seu próprio futuro sem ditames externos. O político insistiu que só se afastaria se a própria coligação rescindisse o seu apoio.

O debate sobre a nomeação de al-Maliki também aprofundou as divisões políticas internas. Embora alguns iraquianos vejam a pressão dos EUA como uma violação dos assuntos internos de outros países, outros recordam a instabilidade dos seus mandatos anteriores, particularmente o aumento da violência sectária em 2006-2008, e opõem-se ao seu regresso.
Especialistas dizem que o deadlock ilustra tensões mais amplas dentro do sistema político do Iraque, que equilibra interesses sectários e pressões externas enquanto luta para formar um governo estável.
O sistema político do Iraque, moldado por divisões étnicas e sectárias pós-invasão, reserva a posição de primeiro-ministro a um líder xiita, enquanto a presidência e a presidência parlamentar vão para políticos curdos e sunitas, respectivamente. Este sistema produz frequentemente impasses motivados pelo consenso, tais como atrasos na selecção de um novo presidente ou primeiro-ministro, e a candidatura de al-Maliki colocou novamente essas dinâmicas no centro das atenções.
Como a Rússia vê a situação?
A Rússia, juntamente com a França e a Alemanha na altura, opôs-se fortemente à invasão do Iraque pelos EUA e alertou para a violência étnica e sectária que posteriormente ocorreu.
Moscovo reafirmou a sua oposição de longa information à interferência estrangeira nos assuntos internos do Iraque. O presidente Vladimir Putin disse no mês passado que a Rússia apoia a unidade, a soberania e a independência do Iraque e se opõe à intromissão externa.












