Dentro de um dos extensos complexos prisionais de El Salvador, fileiras de máquinas de costura funcionam nos turnos diurno e noturno. Os reclusos produzem vestuário para instituições públicas como parte de um programa de trabalho prisional apoiado pelo Estado que se expandiu no início de 2025. A iniciativa, promovida pela administração de Nayib Bukele, é apresentada pelos responsáveis como uma forma de tornar as prisões mais funcionais e ao mesmo tempo oferecer aos reclusos trabalho estruturado, formação básica e possibilidade de redução de penas. Os apoiantes descrevem o programa como uma tentativa prática de introduzir rotina e competências num sistema há muito moldado pela sobrelotação e pela instabilidade.
Como funciona a fábrica de prisões
Milhares de presidiários alternam em turnos contínuos, produzindo uniformes para policiais, soldados e outros funcionários públicos. As oficinas funcionam sob estrita supervisão, com funções claramente definidas e horários definidos. A participação no programa permite que os reclusos ganhem créditos de pena, embora as autoridades não tenham definido publicamente uma única fórmula padrão para o cálculo dessas reduções.Postagens nas redes sociais e algumas reportagens locais afirmam que cada dia de trabalho de um preso pode contar como dois dias de folga da sentença. Embora as autoridades salvadorenhas tenham confirmado que o trabalho prisional pode reduzir o tempo de serviço, não verificaram publicamente uma fórmula fixa de dois por um, deixando pouco claro o mecanismo preciso dos créditos das penas.O sistema fabril expandiu-se juntamente com o rápido crescimento da população carcerária de El Salvador, após a repressão do governo às gangues. As megaprisões recém-construídas albergam agora dezenas de milhares de detidos e o trabalho prisional cresceu com essa expansão. As oficinas têxteis fazem parte de um sistema mais amplo que também inclui trabalhos de construção e manutenção realizados dentro e fora das instalações prisionais.O programa da fábrica de prisões também foi concebido para reduzir os gastos do governo, produzindo uniformes internamente, em vez de terceirizá-los. Ao fornecer vestuário às instituições públicas directamente a partir das oficinas prisionais, o Estado pretende reduzir os custos de aquisição e reduzir a dependência de fornecedores privados. Os defensores argumentam que esta abordagem permite ao sistema prisional compensar algumas das suas despesas operacionais, ao mesmo tempo que mantém os reclusos envolvidos em trabalho estruturado.
Reação pública e interesse mais amplo
Os vídeos filmados nos workshops e partilhados on-line atraíram uma atenção significativa. Muitos telespectadores expressaram uma admiração cautelosa pela ordem e organização exibidas, enquanto outros se concentraram no potencial dos programas baseados no trabalho para reduzir a reincidência. Alguns comentadores no estrangeiro sugeriram que modelos semelhantes, se cuidadosamente regulamentados, poderiam desempenhar um papel na reforma prisional noutros lugares.













