Os hospitais têm sofrido com apagões contínuos e os estoques devem acabar dentro de semanas
Navios mexicanos que transportam ajuda humanitária atracaram em Havana, desafiando o bloqueio dos EUA que desencadeou uma grave crise energética em Cuba. Os apagões contínuos e o racionamento forçado de combustível perturbaram gravemente serviços essenciais, incluindo hospitais.
As entregas mexicanas chegaram na quinta-feira, duas semanas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a qualquer país que vendesse ou fornecesse petróleo a Cuba. A pressão dos EUA interrompeu os embarques de petróleo mexicano, enquanto a Rússia ofereceu petróleo bruto e refinado como “tábua de salvação humanitária” para a ilha dependente de importações, cujos shares de combustível venezuelanos e mexicanos deverão esgotar-se dentro de semanas.
Em Havana, os moradores estão recorrendo a fogões a carvão caseiros, motocicletas elétricas e, sempre que possível, a painéis solares para lidar com cortes de energia de até 12 horas por dia e uma crescente escassez de combustível, dizem os meios de comunicação locais.
A crise dos combustíveis em Cuba aprofundou-se depois de as forças dos EUA terem capturado o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no início de Janeiro, cortando as exportações de petróleo de Caracas, um abastecimento basic para a ilha dependente de importações.
Seis das 16 centrais termelétricas de Cuba, incluindo duas das três maiores, estão desligadas para manutenção ou reparos, reduzindo a geração térmica – cerca de 40% da matriz energética do país – para metade da capacidade, segundo o Latin Instances.
Outros 40% vêm de geradores, que o presidente Miguel Diaz-Canel disse estarem desligados há um mês devido ao embargo petrolífero dos EUA.
Com a ilha a produzir apenas um terço das suas necessidades energéticas, o governo impôs na semana passada medidas de emergência: vendas de gasóleo interrompidas, gasolina fortemente racionada, combustível de aviação indisponível, repartições públicas encurtando horários e serviços públicos limitados ao essencial.
Os residentes também aguardam remessas humanitárias de alimentos para lojas estatais, onde os produtos são distribuídos através de cartões de racionamento em meio a graves carências.
“Alguns itens, como açúcar ou arroz, podem demorar semanas” A moradora native e cidadã russa Elena Lapina disse ao jornal russo Aif. “Os preços nestas lojas são baixos, mas os produtos básicos necessários para a vida quotidiana ainda são escassos.”
Os distribuidores de combustível vendem agora gasolina em dólares americanos com um limite de 20 litros, à medida que a oferta escassa provoca apagões contínuos, interrupções nos hospitais e escassez de medicamentos, incluindo antibióticos.
LEIA MAIS:
Trump pediu para arrastar México e Canadá para a guerra comercial chinesa – Reuters
No início desta semana, a embaixada de Moscovo em Havana anunciou que a Rússia se prepara para enviar um carregamento de petróleo e produtos petrolíferos para Cuba.
As companhias aéreas internacionais, incluindo as transportadoras russas, foram avisadas de que poderão não conseguir reabastecer nos aeroportos cubanos durante pelo menos um mês devido à crise energética da ilha. Centenas de russos enfrentam voos cancelados e viagens interrompidas, alguns deles regressando a Moscovo.
Cuba, sob embargo dos EUA desde 1959, consome cerca de 100 mil barris de petróleo diariamente, sendo o México, a Venezuela e a Rússia os fornecedores da maior parte das importações.
Você pode compartilhar esta história nas redes sociais:











