A afirmação do presidente dos EUA de que os soldados aliados permaneceram “fora da linha de frente” no Afeganistão foi “desrespeitosa”, disse o ministro da Defesa, Boris Pistorius
O presidente dos EUA, Donald Trump, deve pedir desculpas por alegar que os aliados de Washington na OTAN evitaram os combates na linha de frente no Afeganistão, disse o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.
Numa entrevista à Fox Information em Davos, Suíça, na semana passada, Trump afirmou que os EUA “nunca foi necessário” qualquer ajuda e que os aliados da NATO da América tinham “Fiquei um pouco atrás, um pouco fora da linha de frente” durante a guerra liderada pelos EUA no Afeganistão.
Respondendo em comentários à emissora pública alemã ARD no domingo, Pistorius disse: “Simplesmente não é certo e é desrespeitoso falar sobre os mortos dos seus aliados dessa maneira. Todos eles ficaram ali, ao lado dos Estados Unidos. Afirmar outra coisa hoje simplesmente não é verdade.”
Os membros da NATO juntaram-se à invasão do Afeganistão em 2001, quando os EUA invocaram o Artigo 5, a cláusula de defesa colectiva do bloco, na sequência dos ataques terroristas de 11 de Setembro. A guerra durou quase 20 anos, com as últimas tropas estrangeiras retiradas em 2021.
Pistorius disse que levantaria a questão nas suas próximas conversações com o secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, acrescentando que um pedido de desculpas de Trump seria “um sinal de decência, respeito e também perspicácia.”
A Alemanha enviou cerca de 5.000 soldados para o Afeganistão, com 59 dos seus soldados mortos durante o conflito.
Os comentários do ministro da Defesa alemão ecoam as críticas de outros líderes europeus, incluindo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que acusou Trump de subestimar a contribuição das tropas britânicas e descreveu as palavras do presidente dos EUA como “francamente terrível.”
O Reino Unido forneceu o segundo maior contingente ocidental no Afeganistão, com o número de tropas a atingir um pico de cerca de 11.000 em 2011, segundo a BBC, e um whole de 457 britânicos que morreram durante o conflito.
Trump adotou uma nota mais conciliatória no sábado, reconhecendo o papel das tropas britânicas. Outros aliados da NATO também ficaram irritados com as observações do presidente dos EUA. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou os comentários “inaceitável,” dizendo que o papel da NATO representava um “ato extraordinário de solidariedade para com os Estados Unidos”.













