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A crescente influência chinesa na Venezuela é um gatilho para a invasão dos EUA?

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O presidente da China, Xi Jinping, com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 2023 | Crédito da foto: PALÁCIO MIRAFLORES

Com cerca de 200 soldados norte-americanos a entrar em Caracas no sábado, a invasão da Venezuela pela administração Trump e a captura do seu presidente Nicolás Maduro foi a intervenção mais dramática dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989.

A intervenção militar dos EUA provocou ondas de choque em todo o mundo, com aliados e adversários a condenarem a acção dos EUA como uma clara violação do direito internacional. Os especialistas sugerem que a medida visava principalmente reimpor a Doutrina Monroe para restabelecer a hegemonia dos EUA nas Américas e reduzir a influência da China na região.

É interessante notar que a Venezuela dependeu fortemente dos EUA em termos de armas até 1995, antes de diversificar em grande parte para intervenientes como a Alemanha e a Rússia.

No entanto, desde meados da década de 2000, a China tem emergido consistentemente como um dos seus principais parceiros na importação de armas. Não houve casos registados de exportações de armas, na base de dados do Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI), dos EUA para a Venezuela nas últimas duas décadas, excepto uma percentagem insignificante em 2015.

O gráfico abaixo mostra a participação nacional nas importações de armas pela Venezuela no período 1950-2023

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Como mostra o gráfico abaixo, a tendência tornou-se mais evidente durante o regime de Maduro. Desde 2014, a China foi responsável por 46% de todas as importações de armas da Venezuela.

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Em segundo lugar, a Venezuela é um dos principais parceiros comerciais da China na América Latina.

Embora a Venezuela detenha as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, carece de recursos para extraí-las e refiná-las de forma eficaz.

Consequentemente, o país sul-americano tem procurado alianças económicas alternativas com nações como a China e a Rússia, que demonstraram uma maior tolerância aos riscos financeiros e geopolíticos envolvidos. Esta tendência é visível não apenas no comércio de armas, mas também nas exportações de petróleo.

Embora os dados directos sobre o petróleo bruto não estivessem disponíveis, esta análise baseia-se nos números das exportações minerais — uma categoria na qual o petróleo bruto é um componente principal. A China representou menos de 1% das exportações minerais da Venezuela no início da década de 2000, mas atingiu um pico de 28% em 2018. O gráfico abaixo mostra a participação nacional (em %) das exportações minerais da Venezuela entre os principais parceiros.

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Uma análise da Reuters mostrou que durante alguns meses, em meados de 2025, quase todas as exportações de petróleo do país foram para a China.

A China também ultrapassou os EUA como principal fonte de importações para a Venezuela.

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Em 2023, os EUA representaram apenas um quarto das importações da Venezuela, sendo a China responsável por um terço no mesmo período. Isto, no entanto, nem sempre foi o caso. Em meados da década de 1990, a participação dos EUA nas importações da Venezuela ultrapassou a marca dos 40% de forma consistente durante muitos anos. Contudo, nas últimas duas décadas, a participação dos EUA caiu quase para metade, compensada pelo aumento da participação da China.

Em terceiro lugar, uma das razões por detrás da última medida da administração Trump é também supostamente contrariar a influência chinesa na região.

Os investimentos da China na região da América Latina, sob a forma de ajuda, empréstimos e subvenções, totalizam mais de 300 mil milhões de dólares entre 2001-2023, como mostra o gráfico abaixo. Dos quais, mais de um terço (cerca de 106 mil milhões de dólares) foi investido apenas na Venezuela, tornando-a o maior destinatário de investimentos chineses na região.

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Não só na América Latina, a Venezuela é também o quarto maior beneficiário da ajuda chinesa a nível mundial, mostram números do AidData, um laboratório de investigação. A China comprometeu-se com mais de 170 projetos no país durante este período.

Quase todos estes fundos foram desembolsados ​​sob a forma de empréstimos e mais de 26% foram investidos em sectores-chave como a energia, a mineração e outras indústrias relacionadas.

Os dados foram provenientes do Stockholm Worldwide Peace Analysis Institute (SIPRI), Harvard Development Lab e AidData.org

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