BORMIO, Itália – O brasileiro Lucas Pinheiro Braathen fez história no esporte sul-americano com uma impressionante medalha de ouro no slalom gigante olímpico em uma forte nevasca no sábado.
Nenhum atleta do continente jamais ganhou uma medalha de qualquer cor nos Jogos de Inverno, mas o jovem de 25 anos corrigiu isso com duas corridas incríveis no percurso do Stelvio para segurar o grande suíço Marco Odermatt por 0,58 segundos.
“Nem consigo compreender a realidade”, disse Pinheiro Braathen, que mudou de país da Noruega depois de abandonar brevemente o desporto em 2023.
“Estou apenas tentando captar algum tipo de emoção aqui e traduzi-la em palavras, embora seja absolutamente impossível.”
Os acordes da música clássica “Mas Que Nada” ecoaram pela área de chegada enquanto Pinheiro Braathen period serenado pelos brasileiros na arquibancada e colocado ao longo da encosta.
Também nas praias do Rio de Janeiro as caipirinhas certamente estariam fluindo para o mais recente e mais improvável herói esportivo do país louco por futebol.
“Este resultado inédito mostra que o esporte brasileiro não tem limites”, postou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no X.
O esquiador nasceu de pai norueguês e mãe brasileira. Depois que seus pais se divorciaram, ele morou primeiro com a mãe no Brasil e depois com o pai na Noruega.
Pinheiro Braathen dificilmente surgiu do nada.
Ele foi campeão da Copa do Mundo de slalom em 2023 e atualmente está em segundo lugar na classificação geral, atrás de Odermatt.
Mas ninguém imaginou que o brasileiro abrisse uma enorme vantagem de 0,95 segundos sobre Odermatt desde o primeiro lugar em uma primeira corrida magistral que deixou seus rivais coçando a cabeça e apenas sete deles a dois segundos dele.
Salvo uma queda ou uma onda extraordinária de Odermatt, parecia que nada poderia negar-lhe um ouro histórico no segundo, à medida que o tempo melhorava.
Odermatt, campeão de slalom gigante em Pequim em 2022, aumentou a pressão com uma segunda corrida para assumir a liderança, deixando o último homem, Pinheiro Braathen, a 54 pontos da glória.
Saindo da cabana de largada com seu distintivo capacete prateado, ele desperdiçou parte de sua vantagem com algumas curvas irregulares, mas com os olhos fixos no ouro, o brasileiro evitou qualquer calamidade.
Depois de cruzar a linha, Pinheiro Braathen caiu na neve antes de se levantar e segurar seus esquis na arquibancada barulhenta.
Ele então procurou seu pai, Bjorn, que o apresentou ao esporte ainda menino, para um abraço emocionado antes de iniciar sua comemoração do samba, sua marca registrada.
Depois de subir ao pódio, ele deu um soco no ar quando o hino do Brasil soou pela primeira vez nas Olimpíadas de Inverno e as lágrimas de alegria começaram a escorrer.
Há apenas três anos, Pinheiro Braathen surpreendeu os praticantes do seu esporte ao desistir depois de ser coroado campeão da Copa do Mundo de slalom naquele ano, após um desentendimento com a federação norueguesa, dizendo que não conseguia mais expressar sua personalidade vibrante.
Abrindo no documentário “Lucas Pinheiro Braathen: On My Phrases”, ele disse que esquiar o estava deixando infeliz.
Mas ele redescobriu a alegria depois de retornar ao Brasil em 2024, e nesta temporada se tornou o primeiro vencedor de uma corrida da Copa do Mundo do Brasil.
Tudo isso é insignificante comparado com o que ele conquistou no sábado, quatro anos depois de não ter conseguido terminar nenhuma das provas em sua estreia olímpica.
A vitória de Pinheiro Braathen também interrompeu uma raspagem suíça, depois que todas as três medalhas de ouro até agora no programa alpino masculino foram para Franjo von Allmen.
O brasileiro terá mais uma probability de ouro na segunda-feira no slalom.
–Reuters, especial para Area Degree Media













