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‘Deus abençoe a América’: por que o present do intervalo do Tremendous Bowl de Unhealthy Bunny ressoou muito além dos EUA

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CIDADE DO MÉXICO — Quando Coelho Mau disse “Deus abençoe a América” durante o Show do intervalo do Super Bowl e então começou a nomear países em todo o continente, a frase apareceu tanto como um jogo de palavras quanto como uma declaração. Em espanhol, América muitas vezes significa todo o hemisfério, não uma única nação, e a distinção period importante para milhões de pessoas que assistiam de longe.

Em um bar lotado na Cidade do México, o momento atraiu aplausos altos o suficiente para interromper a música.

Pratos de peito, carne de porco desfiada e macarrão com queijo moviam-se entre as mesas enquanto as cervejas continuavam fluindo. Os torcedores com camisetas da NFL passaram o primeiro tempo reagindo a cada jogada. Vários dedos gigantes de espuma balançaram acima da multidão. Quando chegou o intervalo, a atenção não desapareceu. Isso mudou.

Quando Unhealthy Bunny subiu ao palco, as pessoas se levantaram e os telefones foram levantados. Alguns dançaram entre as mesas. Quando ele listou países das Américas, os aplausos ficaram mais altos. Quando ele disse “México”, o bar explodiu.

“Isso realmente me emocionou”, disse Laura Gilda Mejía, professora de 51 anos e fã de longa knowledge da NFL que assistia ao jogo com seus dois filhos. “Com tudo o que está acontecendo politicamente nos Estados Unidos e toda a hostilidade em relação aos latinos… ver um latino sair e cantar em espanhol no maior present do mundo foi incrível.”

Em todo o México, Porto Rico e comunidades latinas nos Estados Unidos, Desempenho de Bad Bunny no intervalo foi recebido como mais do que entretenimento. Muitos fãs descreveram isso como um momento de orgulho e reconhecimento: um artista de língua espanhola comandando um dos palcos mais assistidos da cultura pop americana sem se traduzir, numa época em que os latinos dizem que a visibilidade cultural e a vulnerabilidade política existem lado a lado.

Muitos na América Latina resistem à ideia de que “americano” pertence a um único país. Ao invocar “Deus abençoe a América” e depois expandi-lo para incluir dezenas de nações, Unhealthy Bunny transformou essa tensão linguística numa declaração de inclusão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou o desempenho no Reality Social, chamando-o de “absolutamente terrível” e “uma afronta à Grandeza da América”.

O México é um dos maiores mercados internacionais da NFL, com dezenas de milhões de torcedores e uma presença de longa knowledge em jogos da temporada common. O Super Bowl tornou-se um grande evento social, atraindo espectadores que assistem tanto ao jogo quanto aos comerciais e ao present do intervalo.

Isso fez com que o desempenho parecesse especialmente importante ali.

Chrystian Plata, um cantor de 33 anos e torcedor do New York Giants que assistia com seus pais, sogros e seu filho de 2 anos, disse que o present do intervalo foi o ponto alto emocional do jogo para ele pela forma como tentou “unir as tradições de todas as pessoas que migraram para lá e também enriqueceram os Estados Unidos”.

“Não sou um grande fã de Unhealthy Bunny musicalmente”, disse ele, “mas culturalmente ele se saiu muito bem”.

Essas reações ecoam o que muitos no México têm expressado desde que Unhealthy Bunny foi anunciado como atração principal do intervalo.

No início de dezembro, enquanto os fãs passavam por vendedores ambulantes que vendiam seus produtos antes da estreia da turnê na Cidade do México, María Fernanda Simón, uma psicóloga de 35 anos, descreveu ter se sentido surpresa com a escala de sua influência.

“Adoro que as pessoas queiram falar espanhol por causa dele”, disse ela. “Por muito tempo… tudo anglo, tudo ‘gringo’, tudo de pele clara, inglês – isso period o que estava ‘na moda’, o que estava ‘na moda’ – e agora ver isso invertido me deixa animado, como se ser latino fosse ‘authorized’”.

Nem todos no México partilham desse enquadramento. José Manuel Valenzuela, investigador de estudos culturais no El Colegio de la Frontera Norte, em Tijuana, adverte que a crença de que o valor cultural flui apenas dos Estados Unidos reflecte uma perspectiva “colonizada” de longa knowledge, moldada pela história, pelo poder e pelos meios de comunicação. Na sua opinião, o momento de Unhealthy Bunny é actual, mas não elimina as desigualdades mais profundas que fizeram tal inversão parecer nova.

Em Porto Rico, os grupos de observação trataram o jogo como um prelúdio. Em San Juan e nas comunidades próximas, os bairros fervilharam enquanto o próprio Tremendous Bowl ficava em segundo plano e nas atenções voltou-se inteiramente para os 13 minutos de Bad Bunny no palco.

Alexandra Núñez, moradora de Caguas, ao sul de San Juan, usava um chapéu tradicional de pava e roupas com as cores da bandeira de Porto Rico enquanto observava.

“Esta é uma conquista”, disse ela. “A música não tem fronteiras. A língua não tem fronteiras. … Você não precisa falar a nossa língua para desfrutar da nossa cultura. Isto é international.”

Ela traçou uma distinção cuidadosa entre Unhealthy Bunny e as primeiras estrelas pop latinas que alcançaram o público dos EUA adaptando seu som ou linguagem.

“Quando Ricky Martin fez isso, foi um avanço, uma travessia”, disse ela. “Unhealthy Bunny não precisou fazer a travessia. … Ele pegou o que já existia e trouxe para lá. Ele não precisou mudar nada.”

Nos EUA, a celebração decorreu num cenário de reforço da fiscalização da imigração e protestos contra ataques e deportações, um contexto que moldou a quantidade de latinos que receberam o programa.

Carlos Benítez, analista de risco de 29 anos de Nova Iorque, nascido em Cali, Colômbia, e criado em Miami, descreveu o desempenho como um marco e um lembrete dos seus limites.

“Para mim, é uma conquista”, disse ele, lembrando que os artistas já se sentiram pressionados a cantar em inglês para alcançar os níveis mais elevados. “Unhealthy Bunny está dizendo: ‘Vou fazer minha música em espanhol, e quem entende, entende’”.

Ao mesmo tempo, disse Benítez, a visibilidade não se traduz automaticamente em mudanças imediatas. “Isso não vai ser direto”, disse ele. “Não é como se um agente do ICE assistindo ao Tremendous Bowl mudasse repentinamente de opinião.”

Essa tensão está no cerne de quantos latinos interpretaram a noite.

Vanessa Díaz, professora associada de estudos chicanos e latinos na Loyola Marymount College e coautora de “P FKN R: How Unhealthy Bunny Turned the International Voice of Puerto Rican Resistance”, disse que o desempenho reflete uma mudança mais ampla no que “mainstream” significa nos Estados Unidos.

Unhealthy Bunny não é um ato alternativo, mas sim um mainstream, mesmo que esse mainstream não pareça mais centrado na música de língua inglesa ou no público branco, disse Díaz.

Ela acrescentou que o que surpreendeu muitos observadores não é apenas o fato de um artista de língua espanhola ter chegado ao palco do Tremendous Bowl, mas o fato de Unhealthy Bunny ter conseguido isso depois de anos de repetidos sucessos globais, inclusive entre os ouvintes que não falam espanhol. A arte, disse ela, sempre ultrapassou as barreiras linguísticas, mas a escala e a consistência do seu sucesso desafiam as suposições mais antigas sobre quem são os principais públicos.

Presidente do México, Claudia Sheinbaum disse na segunda-feira que uma frase mostrada durante a apresentação de Unhealthy Bunny – “a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor” – ressaltou sua visão da mensagem de unidade que ele enviou ao cantar em espanhol no Tremendous Bowl.

De volta ao bar da Cidade do México, quando o jogo recomeçou e os torcedores voltaram sua atenção para o campo, a emoção permaneceu.

Para Mejía, a professora, a noite não resolveu as contradições que ela vê entre a celebração cultural e a discriminação. Mas importava que o momento tivesse acontecido, e que tivesse acontecido em espanhol.

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O jornalista da AP Alejandro Granadillo em San Juan, Porto Rico, contribuiu para este relatório.

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