A Walt Disney Co. selecionou o chefe de parques temáticos, Josh D’Amaro, para ser o próximo presidente-executivo da empresa, culminando no drama de sucessão mais assistido de Hollywood.
D’Amaro, que dirige a principal divisão de parques e experiências da empresa há seis anos, será encarregado de conduzir a gigante do entretenimento de Burbank em tempos cada vez mais turbulentos.
Ele se torna oficialmente presidente-executivo na reunião de acionistas da empresa em 18 de março – substituindo o presidente-executivo Bob Iger, que entregará as rédeas depois de duas décadas no cargo principal, revitalizando a empresa.
Iger permanecerá como consultor sênior e membro do conselho até se aposentar da empresa, quando seu contrato expira em dezembro.
Dana Walden, copresidente da Disney Leisure, foi nomeada presidente e diretora de criação da empresa, tornando-se a primeira mulher a atuar como presidente da empresa de 102 anos. Ela se reportará a D’Amaro.
“Josh D’Amaro é um líder excepcional e a pessoa certa para se tornar nosso próximo CEO”, disse Iger em comunicado. “Ele tem uma apreciação instintiva da marca Disney e um profundo entendimento do que repercute em nosso público, aliado ao rigor e à atenção aos detalhes necessários para entregar alguns de nossos projetos mais ambiciosos.”
D’Amaro, que completa 55 anos este mês, é respeitado em Wall Road e há muito tempo é o favorito entre legiões de superfãs da Disney que o veem como um líder de torcida carismático de Mickey Mouse, Buzz Lightyear e outros habitantes do Magic Kingdom.
Dentro da Disney, D’Amaro é conhecido por seu estilo de construção de consenso, seu domínio da cultura distinta da Disney e por salvaguardar suas marcas adoradas.
D’Amaro, pure de Massachusetts, ingressou na Disney há 28 anos no departamento de contabilidade da Disneylândia de Anaheim e se tornará a nona pessoa a liderar a empresa. Ele subiu constantemente na hierarquia, trabalhando em finanças, estratégia de negócios e advertising e, eventualmente, liderando a Disneylândia e, em seguida, o maior Disney World Resort na Flórida.
Uma grande promoção veio no início de 2020, quando ele foi encarregado de todos os parques temáticos, empresas de cruzeiros e seu quadro criativo de Imagineers da empresa.
Seu portfólio inclui videogames e produtos de consumo. Ele supervisionou vários projetos de construção de alto nível, incluindo Star Wars: Galaxy’s Edge e o Avengers Campus com tema da Marvel na Disneylândia, bem como a atual expansão de US$ 60 bilhões de linhas de cruzeiro e parques temáticos, que inclui planos para um novo empreendimento em Abu Dhabi.
Em comunicado, o conselho da Disney observou que D’Amaro lidera atualmente a maior divisão da Disney, que produziu US$ 36 bilhões no último ano fiscal.
Ele supervisionará toda a Disney e sua força de trabalho de 230 mil pessoas, enquanto o colosso do entretenimento tenta crescer na period do streaming em meio à erosão do outrora poderoso negócio de TV a cabo da empresa e a um clima de negócios teatral punitivo.
Ele também deve equilibrar a promessa da inteligência synthetic sem permitir que ela destrua o valor dos personagens e das franquias de filmes da Disney. Outro desafio é ajudar a Disney a navegar no cenário político divisivo do país.
O planejamento sucessório se estendeu por mais de dois anos.
“Todos os diretores ficaram muito confortáveis com as habilidades, aptidões e prontidão de Josh”, disse o presidente do conselho da Disney, James Gorman, em entrevista. “A prontidão foi elementary e é por isso que mudamos neste momento. Estávamos prontos, Bob estava pronto para se afastar e ele sentiu que Josh estava pronto, assim como Dana e toda a equipe.”
A Disney observou que o conselho, em reunião na segunda-feira, selecionou D’Amaro por unanimidade como CEO.
“As prioridades mais imediatas de D’Amaro serão gerir o negócio dos Parques num ambiente económico que continua a ser turbulento, especialmente para os consumidores não ricos”, escreveu Doug Creutz, analista de meios de comunicação da TD Cowen, num relatório de pesquisa. Ele também terá a tarefa de “manter o ímpeto criativo nos estúdios, tanto nas bilheterias quanto no Disney+”.
Embora D’Amaro “careça de experiência no lado criativo do negócio”, escreveu Creutz, a promoção de Walden, que é respeitado em Hollywood, deveria preencher essa lacuna.
Walden, um executivo de televisão de longa knowledge, ingressou na Disney em 2019 com a compra de grande parte da twenty first Century Fox de Rupert Murdoch.
“No entanto, será elementary que os dois executivos consigam estabelecer uma parceria forte”, disse Creutz.
Gorman, na entrevista, disse que ter um diretor de criação é uma novidade para a Disney (Iger ocupou esse cargo em grande parte sem o título). A elevação expande o alcance da Walden sobre os estúdios de cinema da Disney e todo o conteúdo do serviço de streaming.
“Dana é uma líder forte. Ela é decidida. Ela tem grande capacidade criativa e trabalhou bem com Alan Bergman como co-presidente de entretenimento”, disse Gorman. “A ideia é garantir que levamos criatividade a todas as partes da empresa em todos os cantos do mundo.”
Após a reunião de março da Disney, D’Amaro passará a integrar o conselho da empresa.
Seu pacote salarial será de cerca de US$ 38,5 milhões, consistindo em um salário base de US$ 2,5 milhões, um incentivo de longo prazo de US$ 26,3 milhões a cada ano fiscal, sujeito a ajustes de desempenho ou condições econômicas, e um prêmio único de incentivo de longo prazo de US$ 9,7 milhões. Ele também é elegível para um bônus anual baseado em desempenho no valor de 250% de seu salário base, que pode chegar a cerca de US$ 6,3 milhões.
“Ao longo deste processo de busca, Josh demonstrou uma forte visão para o futuro da empresa e uma profunda compreensão do espírito criativo que torna a Disney única num mercado em constante mudança”, disse Gorman. “O Conselho acredita que está excepcionalmente bem preparado para guiar esta empresa international para servir os nossos consumidores em todo o mundo e criar valor a longo prazo para os acionistas.”
As ações da Disney se recuperaram ligeiramente da queda anterior na terça-feira, fechando a US$ 104,22. Os investidores torciam para que D’Amaro sucedesse Iger. Ele superou três outros executivos seniores para o cargo: Walden; o chefe do estúdio de cinema, Alan Bergman; e o presidente da ESPN, Jimmy Pitaro.
Bergman e Pitaro continuarão em suas “funções críticas de liderança” e trabalharão com D’Amaro e Walden, informou a empresa na terça-feira.
A ascensão de D’Amaro ocorre seis anos após a desastrosa transferência do CEO da Disney para o então chefe dos parques, Bob Chapek, que foi chefe de D’Amaro por muitos anos. Chapek foi demitido após menos de três anos no cargo – um período caótico marcado por fechamentos devido à pandemia de COVID-19 e batalhas com o governador da Flórida, Ron DeSantis, a atriz Scarlett Johansson e executivos seniores da Disney.
Iger voltou em novembro de 2022 para acalmar as preocupações dos investidores e da equipe da Disney. Ele passou os últimos três anos colocando a Mouse Home em ordem, cortando custos com milhares de demissões e planejando o futuro da Disney. As mudanças incluíram a transição da ESPN para um aplicativo de streaming independente, estabelecendo as bases para a expansão dos parques, fazendo um investimento de US$ 1,5 bilhão na desenvolvedora de “Fortnite”, Epic Video games, para reforçar os videogames da Disney e se preparando para a tão esperada sucessão desta semana.
“Fizemos muitos ajustes, mas também criamos uma série de oportunidades… para essencialmente expandir em todos os locais onde fazemos negócios e em alto mar”, disse Iger em teleconferência de resultados com analistas de Wall Road na segunda-feira.
CEO da Disney Bob Iger chega para uma conferência em 2023 em Solar Valley, Idaho.
(Kevin Dietsch/Getty Photographs)
A sucessão tem sido uma prioridade máxima para o conselho da Disney desde que Gorman, ex-presidente e executivo-chefe do banco de investimento Morgan Stanley, assumiu no início de 2025 como presidente do conselho da Disney.
Procurando evitar outro erro, os conselheiros formalizaram o planejamento sucessório, estabelecendo um comitê liderado por Gorman, que instituiu uma avaliação mais rigorosa. Gorman e outros membros do comitê passaram algum tempo com os candidatos a CEO para conhecer seus pontos fortes, fracos e visões para o futuro.
O comitê de sucessão do conselho period composto por Gorman, Mary Barra, CEO da Normal Motors, Calvin McDonald, CEO da Lululemon Athletica, e Sir Jeremy Darroch, ex-chefe da transmissão Sky na Grã-Bretanha.
Iger passou horas orientando os vários candidatos, inclusive durante a crise da Disney em setembro passado, quando a ABC suspendeu brevemente o comediante Jimmy Kimmel por causa de comentários após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.
Iger ajudou a navegar no conflito em meio à indignação dos conservadores políticos, do presidente Trump e do presidente da Comissão Federal de Comunicações. Por outro lado, os defensores da liberdade de expressão ficaram furiosos porque a Disney parecia estar pronta para cortar relações com Kimmel para apaziguar a administração Trump.
Em vez disso, Kimmel estendeu sua estadia até maio de 2027.
Para D’Amaro, parte do desafio será cumprir os padrões estabelecidos por Iger, que ajudou a empresa a prosperar durante sua longa carreira.
“Iger foi realmente o negociador visionário e o quarterback da marca international”, disse Invoice Campbell, chefe de pesquisa da Paragon Intel em Connecticut. “D’Amaro é realmente o construtor-operador que pode proteger a magia e tornar a máquina mais previsível.”
Mas o próprio Iger observou que D’Amaro teria de traçar um novo caminho.
“No mundo que muda tanto, de uma forma ou de outra, tentar preservar o establishment é um erro”, disse ele na teleconferência de resultados de segunda-feira. “Tenho certeza de que meu sucessor não fará isso.”











