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Neil deGrasse Tyson chama a negação do pouso na Lua de uma ‘desconexão da realidade’ no podcast de Logan Paul

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Neil deGrasse Tyson rejeitou a negação do pouso na Lua, citando física, cálculos de Saturno V e décadas de amostras lunares estudadas de forma independente/Screengrab YouTube

A negação da chegada à Lua continua a ser uma característica recorrente da cultura on-line, ressurgindo sempre que a desconfiança nas instituições colide com os meios de comunicação virais. Essa dinâmica ocorreu novamente durante um episódio recente do Impaulsive, onde o astrofísico Neil deGrasse Tyson foi solicitado a responder diretamente às dúvidas sobre se os humanos alguma vez chegaram à Lua.

A troca

Tyson apareceu no podcast com os apresentadores Logan Paul e Mike Majlak quando Paul formulou a questão com cautela, perguntando se Tyson achava que os pousos na Lua realmente aconteceram. Tyson rejeitou imediatamente a premissa. “Eu sei que fomos à Lua”, disse ele, antes de acrescentar que a negação não period um ceticismo neutro, mas uma forma de desconexão, descrevendo-a como sendo “intelectual e emocionalmente desconectada da civilização”.Paul recuou, concentrando-se nas imagens da Apollo 11 e questionando se o movimento na tela fazia sentido. “Você não acha que aquele vídeo pareceu um pouco bobo?” ele perguntou. “É realmente assim que você saltaria na Lua?” Tyson não se envolveu com a estética da filmagem. Em vez disso, ele voltou ao que poderia ser testado, medido e verificado.Essa abordagem contrasta com a resposta de Buzz Aldrin, que certa vez deu um soco num homem por acusá-lo de fingir a aterrissagem. A reação de Tyson foi mais calma, mas carregou seu próprio poder.

Por que a física continua sendo ignorada

Para Tyson, a negação do pouso na Lua sobrevive porque as pessoas superestimam consistentemente o quão difícil foi a missão, ao mesmo tempo que subestimam o que a engenharia da década de 1960 já poderia fazer. “A verdadeira questão aqui”, disse ele, “é que se você não conhece física, você pensa que chegar à Lua foi mais difícil do que realmente foi”.Ele retorna às evidências concretas. Os astronautas da Apollo trouxeram rochas lunares, que foram distribuídas a laboratórios de todo o mundo para análises independentes. Esse processo, salienta Tyson, é uma ciência rotineira, não um floreio simbólico, não um gesto patriótico. As amostras ainda existem e têm sido estudadas há décadas.Depois, há o foguete Saturno V. Foi lançado publicamente. Sua capacidade de combustível é conhecida. Seu desempenho pode ser calculado. Os números explicam como três astronautas poderiam entrar na órbita da Terra, viajar para a Lua, entrar na órbita lunar, retornar à Terra e pousar com segurança. Para Tyson, a descrença nesse ponto não é ceticismo, mas uma recusa em se envolver com a mecânica básica.

O problema da conspiração

Tyson frequentemente desmonta teorias da conspiração concentrando-se na escala e não no motivo. Falsificar as aterragens na Lua, argumentou ele, teria exigido que mais de 400 mil pessoas em múltiplas missões Apollo, sob intenso escrutínio da Guerra Fria, e os seus empreiteiros, universidades e fornecedores mantivessem o mesmo segredo indefinidamente. Estatisticamente, as conspirações que envolvem até algumas dezenas de pessoas tendem a desvendar-se. Uma que envolvesse centenas de milhares de pessoas não duraria anos, muito menos décadas. A explicação mais simples, argumentou ele, é que as missões aconteceram conforme documentado.A certa altura, Tyson virou a lógica da conspiração contra si mesmo, brincando que se Hollywood tivesse sido solicitado a falsificar as aterrissagens, teria sido “mais fácil fazê-lo no native”. Há também a questão da repetição. Os Estados Unidos não foram à Lua nenhuma vez. Foram nove vezes, seis pousos bem-sucedidos e três missões adicionais. Uma farsa teria exigido que cada uma dessas missões fosse realizada sem um único deslize técnico, fuga ou inconsistência, sob intenso escrutínio international. Para Tyson, isso por si só torna a narrativa da farsa mais difícil de sustentar do que as próprias missões.

Por que ele continua voltando para isso

Tyson continua a defender a exploração espacial, discutindo frequentemente os esforços atuais, como o Programa Artemis da NASA, que visa devolver os humanos à Lua. Ele enquadra a Apollo não como uma exceção milagrosa, mas como um capítulo inicial de uma história mais longa e contínua de progresso da engenharia.

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Essa perspectiva também explica por que ele permanece franco quanto à negação. Para Tyson, a persistência das conspirações de pouso na Lua não é evidência de um passado falho, mas um efeito colateral não intencional do sucesso. “O facto de termos pessoas a viver e a caminhar entre nós, negando aonde a engenharia e a ciência nos levaram”, disse ele, “é em si um elogio ao quão longe a civilização se tornou”.

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