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A Exposição Bienal de Gravura em Chennai reúne artistas da América Latina e do Norte da África para mostrar a gravura como linguagem international de resistência

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Nascer do sol da caverna por José Franco Codinach | Crédito da foto: ARRANJO ESPECIAL

A exposição Bienal de Impressão em curso em Lalit Kala Akademi, Chennai, desenrola-se como uma viagem muito além das fronteiras da Índia, traçando linhagens artísticas moldadas pela revolução e resistência em toda a América Latina e no norte de África. Apresentada como evento colateral da Terceira Bienal de Gravura da Índia, a exposição apresenta uma seleção da coleção da família Boti Llanes, iniciada pela Dra. Llilian Llanes, ganhadora do Prêmio Nacional de Pesquisa Cultural de Cuba, e com curadoria na Índia de sua filha, Liliam Mariana Boti Llanes. Reunindo as obras de 48 artistas gravadores de regiões como México, Cuba, Argentina, Brasil e Chile, a exposição está enraizada nas convulsões sociopolíticas das décadas de 1980 e 1990. Mostra a gravura como ferramenta política e criativa, com obras que tecem histórias através de países e continentes.

A exposição mostra as diferentes possibilidades e variações das técnicas de impressão, como litografias, serigrafias, águas-fortes e gravuras, em vez de focar em um único tema. “O objetivo é conectar o público com as obras de arte e os artistas, mostrando como as pessoas de todo o mundo pensam sobre as mesmas coisas, como política, retratos e arte abstrata”, diz Liliam.

Por exemplo, a gravura em papel Nuchos Cazadores, do falecido artista panamenho Guillermo Trujillo, retrata uma série de nuchos (membros das tribos panamenhas) que estão no meio da caça. Suas obras incluem sátiras políticas e sociais, bem como a relação entre o homem e a Natureza. Conforme exibido na exposição, as obras de Trujillo muitas vezes combinam estatuetas humanas com referências à antropologia panamenha, pinturas rupestres e formas geométricas.

O trabalho de impressão litográfica do artista argelino Rachid Koraïchi intitulado A Nation in Exile: Engraved Hymn (Set 3), 2017, apresenta escritas caligráficas árabes, compostas de símbolos e cifras extraídas de sua própria cultura. Outra obra de arte, intitulada Dawn From the Cave, do artista cubano José Franco Codinach entrelaça e entrelaça imagens e texturas, explorando as fronteiras entre a Natureza e o espírito, a vida e a tecnologia, o actual e o surreal, o primitivo e o moderno. “As obras apresentadas na Bienal de Gravura são representativas da minha prática artística, pois partilham um conceito central: a relação entre o homem e a Natureza, bem como a beleza desta, que muitas vezes passa despercebida”, afirma José.

“Espero que o público obtenha uma compreensão abrangente da arte produzida em regiões distantes dos mais conceituados centros artísticos, bem como das diversas formas de interpretar o mundo e das técnicas de gravura”, acrescenta ainda.

As obras do artista cubano José Braulio Bedia Valdés na exposição estão ligadas à tradição cubana, especialmente à tradição afro, e também a outras tradições da América Latina e às culturas nativas da América nativa. Uma de suas obras mostra um ‘homem puma’, que é um homem felino com cabeça de puma e corpo de homem. Depois, há outra figura com cabeça de touro. “Através das peças procurei falar sobre a permanência de uma certa força espiritual em cada parte materials da nossa vida”, diz José.

Enraizadas em histórias de resistência e de expressão profundamente pessoal, as obras revelam a gravura como uma poderosa linguagem de memória, espiritualidade e dissidência.

A Terceira Bienal de Gravura da Índia acontece no primeiro andar da Lalit Kala Akademi Chennai até 18 de janeiro, das 11h às 19h

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