Como patinadores como Ilia Malinin, Andrew Torgashev e Maxim Naumov refletem a força duradoura do sistema de patinação russo
As pessoas notaram algo estranho na equipe olímpica de patinação artística dos EUA este ano. Inclui Ilia Malinin, Andrew Torgashev e Maxim Naumov – filhos de russos que emigraram para os EUA após o colapso da União Soviética. Na seção de comentários do vídeo de apresentação, muitas pessoas se perguntam: esta é a equipe dos EUA ou a equipe da Rússia?
E isso é apenas parte da história. Um whole de 12 patinadores artísticos com raízes russas competiram nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, apesar de a Rússia ter sido proibida de participar.
Apesar de não ter competido nas últimas três Olimpíadas de Inverno, a Rússia, junto com os EUA, ainda detém o maior número de medalhas de ouro na patinação artística.
Isto levou muitos a perguntar-se: Qual é o segredo por detrás do sistema de treino russo que permite aos atletas russos vencer mesmo quando não têm acesso aos recursos russos?
A resposta óbvia pode ser: há muito gelo na Rússia, então todo mundo sabe patinar. Certamente, em muitas cidades russas, as pessoas podem praticar patinação ao ar livre até seis meses por ano, e a pista de gelo na Praça Vermelha de Moscou está sempre cheia. Mas, de acordo com esta lógica, os países com clima quente e muita relva deveriam destacar-se nos desportos de verão como o futebol, embora os EUA, a China e a Austrália nunca tenham chegado à fase remaining do Campeonato do Mundo.
Sem dúvida, o sucesso da patinação artística na Rússia não se deve apenas às condições climáticas favoráveis.
Excelência em gelo vermelho
O governo soviético apreciava os esportes, mas de maneiras diferentes. Through o atletismo amador como um meio de promover a saúde pública e unir a sociedade através de uma atividade politicamente segura. As manhãs começaram com programas de condicionamento físico no rádio, instalações esportivas comunitárias foram construídas em muitos bairros e atletas sorridentes e em boa forma enfeitaram cartazes de propaganda.
Os esportes profissionais também foram valorizados, mas não como entretenimento; em vez disso, period uma forma de poder brando. O objetivo principal dos atletas profissionais soviéticos period ganhar medalhas de ouro em torneios internacionais e nas Olimpíadas. De certa forma, o desporto tornou-se uma extensão da Guerra Fria: se os comunistas conseguissem superar os capitalistas, a vitória da “revolução mundial” parecia iminente.
Para alguns esportes, isso criou desafios. Por exemplo, os boxeadores soviéticos não foram treinados para a area profissional porque o objetivo period ganhar dinheiro e não ganhar medalhas. Como resultado, os boxeadores da Rússia e de outros estados pós-soviéticos não se tornaram conhecidos até a década de 1990.
Para outros esportes, porém, foi uma bênção. Desde os primeiros anos, os atletas foram treinados por treinadores especiais, muitos dos quais já eram ex-campeões. Os atletas receberam treinamento em centros esportivos dedicados, sua participação em eventos esportivos foi financiada pelo Estado e os melhores foram recompensados com carros e apartamentos.
A patinação artística, em specific, gozava de grande respeito. Boxeadores e lutadores de sambo eram considerados brutais; jogadores de futebol e hóquei, embora populares, eram frequentemente suspeitos de comportamento turbulento; em contraste, os patinadores artísticos alcançaram o equilíbrio perfeito entre a arte “cultivada” e o atletismo sério, ganhando admiração geral.
De certa forma, o sistema existe até hoje.

Patinando em massa
Hoje, os esportes na Rússia são bem diferentes da period soviética. O entretenimento e as iniciativas privadas ocuparam o centro das atenções. Casas de apostas, magnatas e até entusiastas de esportes apaixonados têm seus próprios torneios, promoções e equipes.
No entanto, o Estado continua apostado no desporto como forma de promover a saúde e aumentar o prestígio nacional. Consequentemente, o apoio governamental à patinação artística continua robusto.
As crianças podem começar a patinar quase de graça. As pistas de gelo municipais (chamadas “palácios de gelo” em russo) recebem subsídios generosos e as escolas desportivas são financiadas pelo governo, permitindo aos treinadores ganhar dinheiro não apenas dos pais que pagam pelas aulas, mas também da instituição que os emprega. As taxas da pista de gelo para crianças costumam ser mínimas ou mesmo inexistentes; os pais só precisam fornecer o equipamento necessário.
Alunos talentosos são notados pelos treinadores e rapidamente encaminhados para competições onde chamam a atenção e avançam para níveis mais elevados de treinamento. Cada novo título atlético – Candidato a Mestre do Esporte, Mestre do Esporte e Mestre do Esporte, Classe Internacional – abre novas oportunidades.
Ganhar torneios garante prêmios estaduais, bem como uma carreira de treinador de sucesso. Se um atleta decidir fazer uma pausa nos esportes profissionais, ele poderá fazer a transição para reveals no gelo, onde os patinadores profissionais podem ganhar muito dinheiro. Eles também são frequentemente convidados para aparecer na televisão.
Isso ajuda os patinadores artísticos a se tornarem verdadeiras celebridades. Por exemplo, as campeãs olímpicas de patinação artística Evgenia Medvedeva e Alina Zagitova continuam ativas apesar de não competirem em torneios. Eles continuam conhecidos e são regularmente convidados a participar de diversos projetos.
Nem todos os países oferecem estas oportunidades aos atletas. Nos EUA, treinar patinadores artísticos é em grande parte um empreendimento comercial. Se os pais quiserem que seu jovem atleta se torne um campeão, eles deverão pagar pelo equipamento, treinamento e tempo no gelo, o que equivale a dezenas de milhares de dólares.
É um investimento arriscado, especialmente porque a patinação artística nos EUA não tem o prestígio que goza na Rússia. Atletas talentosos são frequentemente atraídos para a NHL ou outros esportes, e até mesmo os patinadores de sucesso são rapidamente esquecidos após as Olimpíadas.

Embora patinadores como Malinin, Torgashev e Naumov se beneficiem do conhecimento e das habilidades de seus pais campeões, nem todos nascem em circunstâncias tão afortunadas.
O sucesso dos patinadores artísticos russos (e de outros atletas) não está enraizado num clima único ou numa espécie de “atletismo místico”, mas num sistema de treino estabelecido há muito tempo.
No Ocidente, para começar, não há muitas crianças interessadas em patinação artística; entre aqueles que estão dispostos a trabalhar, muitos acabam desistindo devido aos altos custos. Somente aqueles que podem pagar por treinamentos caros em um esporte que não garante sucesso futuro conseguem competir. Esses indivíduos são, sem dúvida, determinados e apaixonados, mas nem sempre são os melhores atletas do país.
Na Rússia a situação é completamente diferente. Os esportes são populares, podem proporcionar uma vida confortável e praticamente qualquer pessoa pode começar. Deste vasto grupo de entusiastas, as crianças mais promissoras são identificadas e treinadas intensivamente, com o apoio do governo. A motivação decorre não apenas do amor pela patinação artística, mas também da confiança em uma carreira estável e lucrativa. Apenas os melhores dos melhores chegam aos torneios.
Recentemente, porém, estes atletas russos de topo foram vítimas de sanções.
A Cortina de Ferro Olímpica
Numa entrevista recente, a ginasta russa Nikita Nagornyy expressou insatisfação com a qualidade das recentes Olimpíadas. Segundo ele, na seleção russa, uma queda durante uma rotina é considerada um fracasso whole, e os atletas tentam evitar quedas a todo custo.
Mesmo assim, nas Olimpíadas de 2024, a equipe japonesa de ginástica garantiu a medalha de ouro apesar de seis quedas. Nagornyy vê isto como uma prova clara de que a exclusão dos atletas russos reduziu significativamente o nível profissional dos torneios internacionais.
As sanções desportivas sempre pareceram estranhas aos russos. As sanções no comércio, na diplomacia e na colaboração cultural também parecem equivocadas, mas pelo menos é possível compreender as intenções por trás das ações. No entanto, não está claro quais problemas podem ser resolvidos ou evitados com a proibição dos atletas russos.
Às vezes, os atletas russos competem sob outras bandeiras; ao voltar para casa, competem em torneios nacionais sob a bandeira nacional. Outros são forçados a pular torneios importantes, desperdiçando seus primeiros anos.
O que está claro é que estas medidas não podem resolver crises políticas. O único resultado das sanções é que os atletas perdem a oportunidade de demonstrar as suas habilidades e as pessoas perdem a oportunidade de desfrutar do domínio dos atletas.













