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Unhealthy Bunny, que fala espanhol, desperta a identidade latina perdida entre os fãs de música do Brasil

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Há um ditado no Brasil que diz que os brasileiros só percebem que são latinos quando viajam para os EUA ou para a Europa.

Entre as muitas razões para isto está o facto de o maior país da América Latina ser também o único da região onde se fala português em vez de espanhol.

Não é, portanto, surpreendente que os artistas de língua espanhola tenham historicamente lutado para entrar no cenário musical brasileiro – com algumas exceções notáveis, a última das quais é Unhealthy Bunny.

Ele fará dois exhibits com ingressos esgotados nesta sexta e sábado para mais de 40 mil pessoas por noite em um estádio de futebol em São Paulo.

Mas especialistas e fãs veem algo novo desta vez: ao contrário do sucesso passado de artistas como seu compatriota porto-riquenho Ricky Martin ou a colombiana Shakira, Unhealthy Bunny parece estar despertando um sentimento mais forte de identidade latina entre muitos brasileiros.

UM enquete publicado há 10 anos mostrou que, diferentemente de seus vizinhos, que predominantemente se identificavam principalmente como “latino-americanos” (43%), os brasileiros se descreviam principalmente como “brasileiros” (79%) e, somente depois de “cidadãos do mundo” (13%), como “latino-americanos” (4%).

Pouco depois do desempenho de Unhealthy Bunny no intervalo do Tremendous Bowl, as redes sociais no Brasil foram inundadas com declarações de Pertencimento latino. Uma congressista de esquerda chegou a apresentar um conta conceder-lhe o título de “cidadão honorário”, alegando que isso “construiria mais uma ponte cultural entre o Brasil e suas nações irmãs de língua espanhola”.

Unhealthy Bunny em sua apresentação no Tremendous Bowl na Califórnia no início deste mês. Fotografia: Patrick T Fallon/AFP/Getty Pictures

O DJ Rafael Takano, 40 anos, realiza festas de música latina em São Paulo desde 2016 e disse que a procura nunca foi tão alta como desde o ano passado. Sua festa !SÚBETE! agora tem edição carnavalesca de rua e fará festas após os exhibits do Unhealthy Bunny.

“Especialmente com DeBÍ TiRAR MáS FOToS [which won this year’s album of the year Grammy]Unhealthy Bunny transmitiu uma mensagem e uma estética que são muito universais para a América Latina… e tornou mais fácil para os brasileiros se verem como latinos”, disse Takano.

Os brasileiros ficaram exultantes quando Unhealthy Bunny disse “Deus abençoe a América” antes de nomear quase todos os países da América Latina e do Caribe – incluindo o Brasil – durante sua apresentação no Tremendous Bowl, e muitos identificado profundamente com símbolos como o menino dormindo em três cadeiras em um casamento.

“Unhealthy Bunny traz um peso cultural e acabamos nos reconhecendo em sua narrativa”, disse Leandro Rodrigues, 28 anos, um dos seis administradores voluntários da fan account Coelhinho Mau Brasilque viajará 2.500 quilômetros da cidade amazônica de Belém até São Paulo para os exhibits.

Thiago Soares, que coordena um grupo de pesquisa em Música e Cultura Pop na Universidade Federal de Pernambuco, disse que, diferentemente do “apelo mais comercial” de Shakira – que foi recentemente anunciada como atração principal do present gratuito deste ano na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro – Unhealthy Bunny irrompeu no Brasil “de uma forma diferente, alinhada com uma agenda de emancipação mais antiamericana”.

O crescente interesse entre os brasileiros num crítico aberto das políticas anti-imigração de Donald Trump pode ter sido alimentado pelas tarifas do presidente dos EUA e pelas suas tentativas de interferir no poder judicial do Brasil, o que inflamou o nacionalismo brasileiro, como aconteceu noutros países visados ​​pela Casa Branca.

Unhealthy Bunny se apresentando em Buenos Aires, Argentina. Fotografia: Gabriel Sotelo/NurPhoto/Shutterstock

“Quando Unhealthy Bunny começou a fazer sucesso no estrangeiro, duvidava que ele enchesse um estádio aqui. E agora está a encher duas noites consecutivas”, disse Soares, que ainda assim acrescentou que o artista “ainda não period mainstream”.

“Ao contrário de Shakira ou Ricky Martin no passado, ele não tem músicas em novelas e não colabora com artistas brasileiros… Ele é um fenômeno de mídia social que está mais associado a uma certa elite cultural brasileira.”

Mesmo assim, Unhealthy Bunny se tornou o primeiro artista latino não brasileiro a colocar uma faixa solo na lista Billboard Scorching 100 do país – outros já haviam feito isso antes, mas apenas em colaborações com cantores brasileiros.

“Isso me emociona porque reconheço que no Brasil as pessoas ouvem mais música brasileira, e eu nem fiz algo como colaborar com artistas de lá”, Unhealthy Bunny recentemente disse em entrevista conjunta à Vogue e GQ Brasil.

Os brasileiros amam sua própria música – não houve estrangeiros entre os 10 artistas mais ouvidos em 2025 no Spotify. A barreira linguística pode ser um issue, dado que se estima que menos de 1% dos brasileiros falam espanhol ou inglês fluentemente, mas os artistas anglófonos ainda eram mais ouvidos e representavam todos os cinco artistas estrangeiros mais transmitidos.

Para Takano, isto é resultado do “mushy energy” dos EUA: os brasileiros são ensinados desde cedo a olhar mais para os EUA do que para os seus vizinhos latino-americanos.

“A cultura dos EUA sempre foi fortemente comercializada para nós, promovendo o chamado modo de vida americano. Agora, por causa da web, temos acesso a outras coisas também, e estamos vendo o surgimento de um modo de vida latino”, disse ele.



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